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quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Jogo das Contas de Vidro (Das Glasperlenspiel) - II

"Quando na luta dos interesses e dos slogans a verdade é ameaçada, e ainda desvalorizada, desfigurada e violentada como o indivíduo, como a linguagem, assim como as artes, como tudo o que é orgânico e artisticamente engendrado com magnitude, então é nossa obrigação única relutar e resgatar a verdade — isto é, a busca pela verdade — como nosso dogma supremo. O estudioso que, como orador, como autor, como professor, conscientemente profere o incorreto, conscientemente apoia mentiras e fraudes, age não apenas contra leis fundamentais orgânicas, ele, além disso, apesar de toda a aparência, em nada aproveita ao seu povo; causa-lhe, na verdade, severos danos, estraga-lhe o ar e a terra, o alimento e a bebida, envenena o pensamento e o direito e ajuda todo mal e hostil que ameaça o povo de extermínio."

Hermann Hesse


„Wenn im Kampf der Interessen und Schlagworte die Wahrheit in Gefahr kommt, ebenso entwertet, entstellt und vergewaltigt zu werden wie der Einzelmensch, wie die Sprache, wie die Künste, wie alles Organische und kunstvoll Hochgezüchtete, dann ist es unsre einzige Pflicht, zu widerstreben und die Wahrheit, das heißt das Streben nach Wahrheit, als unsern obersten Glaubenssatz zu retten. Der Gelehrte, der als Redner, als Autor, als Lehrer wissentlich das Falsche sagt, wissentlich Lügen und Fälschungen unterstützt, handelt nicht nur gegen organische Grundgesetze, er tut außerdem, jedem aktuellen Anschein zum Trotz, seinem Volke keinen Nutzen, sondern schweren Schaden, er verdirbt ihm Luft und Erde, Speise und Trank, er vergiftet das Denken und das Recht und hilft allem Bösen und Feindlichen, das dem Volke Vernichtung droht.“

Hermann Hesse

Das Glasperlenspiel. Berlim: Suhrkamp Taschenbuch Verlag (Edição digital - kindle), 2012. p. 551,  posição 5371.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Jogo das Contas de Vidro (Das Glasperlenspiel)

"De repente, percebi que na linguagem ou pelo menos no espírito do Jogo das Contas de Vidro, tudo de fato era plenamente significativo, que cada símbolo e combinação de símbolos não levavam aqui ou ali, a determinados exemplos, a experimentos, a evidências, mas ao centro, ao mistério e ao íntimo do mundo, ao conhecimento primal. Cada transição do tom maior para o menor em uma sonata, cada transformação de um mito ou de um culto, cada formulação clássica, artística era — eu me dei conta no lampejo daquele instante, em verdadeira contemplação meditativa — nada além de um caminho imediato ao interior do mistério cósmico, onde, em alternância entre inspiração e expiração, entre céu e terra, entre Yin e Yang o sagrado eternamente se consuma."

Hermann Hesse


„Ich begriff plötzlich, daß in der Sprache oder doch mindestens im Geist des Glasperlenspiels tatsächlich alles allbedeutend sei, daß jedes Symbol und jede Kombination von Symbolen nicht hierhin oder dorthin, nicht zu einzelnen Beispielen, Experimenten und Beweisen führe, sondern ins Zentrum, ins Geheimnis und Innerste der Welt, in das Urwissen. Jeder Übergang von Dur zu Moll in einer Sonate, jede Wandlung eines Mythos oder eines Kultes, jede klassische, künstlerische Formulierung sei, so erkannte ich im Blitz jenes Augenblicks, bei echter meditativer Betrachtung, nichts andres als ein unmittelbarer Weg ins Innere des Weltgeheimnisses, wo im Hin und Wider zwischen Ein- und Ausatmen, zwischen Himmel und Erde, zwischen Yin und Yang sich ewig das Heilige vollzieht.“

Hermann Hesse

Das Glasperlenspiel. Berlim: Suhrkamp Taschenbuch Verlag (Edição digital - kindle), 2012. p. 172,  posição 1649.

domingo, 14 de março de 2010

Degraus (Stufen)

Assim como toda flor perde o viço e como toda juventude
Cede à idade, floresce cada degrau da vida,
Floresce toda sabedoria também e toda virtude
A seu tempo, e não pode durar para sempre.
O coração deve, em cada chamado da vida,
Estar pronto para a despedida e para o recomeço,
Para se dar, na valentia e sem qualquer
Luto, a outras novas ligações.
E em todo começo reside um encanto próprio
Que nos protege e nos ajuda a viver.

Transponhamos serenos espaço a espaço
E a nenhum nos prendamos qual a uma pátria.
O espírito do mundo não quer nos atar nem comprimir,
Ele quer elevar-nos degrau a degrau, alastrar-nos.
Mal nos habituamos a ser íntimos
De um ambiente, ameaça o relaxar-se.
Só quem está pronto para partir e viajar
Poderá eludir o hábito paralisante.

Acaso a hora da morte ainda nos envie
Ao encontro de novos espaços,
Jamais há de cessar o clamor da vida por nós...
Eia, pois, coração, despede-te e convalesce!

Hermann Hesse


Wie jede Blüte welkt und jede Jugend
Dem Alter weicht, blüht jede Lebensstufe,
Blüht jede Weisheit auch und jede Tugend
Zu ihrer Zeit und darf nicht ewig dauern.
Es muß das Herz bei jedem Lebensrufe
Bereit zum Abschied sein und Neubeginne,
Um sich in Tapferkeit und ohne Trauern
In andre, neue Bindungen zu geben.
Und jedem Anfang wohnt ein Zauber inne,
Der uns beschützt und der uns hilft, zu leben.

Wir sollen heiter Raum um Raum durchschreiten,
An keinem wie an einer Heimat hängen,
Der Weltgeist will nicht fesseln uns und engen,
Er will uns Stuf' um Stufe heben, weiten.
Kaum sind wir heimisch einem Lebenskreise
Und traulich eingewohnt, so droht Erschlaffen,
Nur wer bereit zu Aufbruch ist und Reise,
Mag lähmender Gewöhnung sich entraffen.

Es wird vielleicht auch noch die Todesstunde
Uns neuen Räumen jung entgegen senden,
Des Lebens Ruf an uns wird niemals enden...
Wohlan denn, Herz, nimm Abschied und gesunde!

Hermann Hesse

Poema do livro "O Jogo das Contas de Vidro" (Das Glasperlenspiel). Sämtliche Werke. Vol. 10. Frankfurt am Main: Suhrkamp Verlag, 2002. p. 366.